Montadoras lutam para manter o preço mesmo com o aço mais caro.

COM AÇO CARO,
MONTADORAS TENTAM DRIBLAR PRESSÃO SOBRE OS PREÇOS AO CONSUMIDOR.
Da auto press _ a indústria automobilística parece ser movida mais pelas
incansáveis lamurias dos fabricantes do que propriamente por fonte de energia.
são recorrentes as queixas no setor por conta da elevada carga tributaria
brasileira, por exemplo. Quando o dólar este mais valorizado que o real,
é comum outra reclamação de que o câmbio aumenta as despesas de produção,
ao encarecer os insumos importados. Quando ocorre o inverso, o lamento é pela
perda de competitividade nas exportações. O choro agora recai sobre a questão
do aço. O produto registrou um aumento superior a 12% desde janeiro e está em
falta no mercado brasileiro. Para as montadoras, um baque, pois o aço
representa 60% do custo total de insumos da indústria automobilística e o
setor consome 28% de todo aço feito nos pais.
O principal reflexo se deu nas tabelas de preço. Discretamente, é verdade. O
preço dos automóveis comerciais leves de algumas marcas fabricados no Brasil
foram reajustados. Os aumentos, porém, não chegaram a 2% “os insumos,
principalmente o aço, pressionam os custos isso nos preocupa, mas as montadoras
evitam repassar esse aumento para o preço final”, disse JACKSON SCHNEIDER,
presidente da Afanvea (associação nacional dos fabricantes de veículos
automotores).
O repasse apenas parcial do aumento de custo, porém, tem razões mercadológicas.
Em um mercado crescente como o brasileiro, ninguém quer perder participação.
E um reajuste significativo dos modelos poderia ser fatal. “A matéria prima
aumenta e não, tem como não ter repasse. Mas mesmo com o aumento do
commodities, não dá para aplicar ajuste muito significativo por causas da
concorrência”, afirmou ROGELIO GOLFARB, diretor de assuntos corporativos da
FORD. “Vão repassar esse aumento para o consumidor, até porque a demanda
muito aquecida permite isso. A competição é muito acirrada e quem aumentar
muito perde mercado”, alertou o economista ALEXANDRE ANDRADE, da consultoria
tendências.
Para montadoras, as alternativas são poucas. Uma delas é negociar com os
fornecedores, tarefa difícil em um momento de demanda aquecida pelo aço no
mundo inteiro. Outra seria importar o produto, ainda mais como o dólar pouco
valorizado frente á moeda brasileira. Só que importação envolve certificação
do produto trazido e contratos para encomendas que levam, no mínimo, seis
meses. “Evidentemente, cada um vai buscar a solução do seu problema. Mas há
uma tendência que seja por um fornecimento nacional. HÁ um crescimento da
importação de aço chinês, por exemplo, mas ainda é insignificante”,
explicou o economista JULIO GOMES DE ALMEIDA, consultor do elide (instituto de
estudos para o desenvolvimento industrial).
De qualquer maneira é consenso é entre os especialistas do setor de que a crise do aço seja passageira. Para eles, a própria indústria siderúrgica nacional pode equilibrar essa relação demanda oferta.